Estou participando do Seminário Municipal de Educação na cidade que resido e leciono. Tive na manhã de sábado a grata satisfação de conhecer o professor José Pacheco, ex-diretor da Escola da Ponte, em Portugal e juntamente com outros professores tive uma manhã rica em troca de experiências e em conhecimento.
O professor José Pacheco fez um breve relato do histórico da Escola da Ponte, onde o insucesso dos alunos era grande, os alunos não aprendiam, a maioria tinha entre 14 e 15 anos e os adolescentes batiam nos professores.
Atualmente a Escola da Ponte é uma referência de qualidade e valorização do conhecimento.
O professor fez provocações aos professores dizendo:-Na Escola da Ponte os pais dirigem a escola, não têm turmas, não tem aula, não tem grade curricular... A Escola é lugar de trabalho, é um lugar onde se aprende, têm regras, direitos e deveres. Não há nada nas salas de aulas que seja realizado pelos professores. Todos os cartazes são realizados pelos alunos.
Criança faz perguntas! A partir das perguntas das crianças elaboramos projetos de aprendizagem e os grupos são formados pelo interesse no assunto.Quando a criança faz perguntas o professor responde:-O que tu achas? A criança sempre tem uma hipótese para sua dúvida.
A afetividade e a heterogeneidade são questões primordiais no grupo de trabalho. Eu aprendo com quem sabe outras coisas. No grupo sempre há um aluno que necessite maior atenção dos professores por apresentar alguma deficiência.
As condições para o professor dar aulas são nunca estar sozinho, a aula não deve ser solitária e sim solidária! Não existe professor único para cada turma, existe um grupo de professores que mediam conhecimento a um grupo de alunos que escolhem o que vão aprender.
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domingo, 7 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
Educação Após Auschwitz
Acredito que uma civilização que queira evitar a barbárie, a opressão na educação, deve combatê-la desde cedo, isto é, na primeira infância.
Neste sentido o diálogo, o brincar, o jogo tem um valor para além do lúdico... Segundo Bruno Bettelheim: “nenhuma criança brinca só para passar o tempo, sua escolha é motivada por desejos íntimos, problemas, ansiedades.” O brincar de uma criança é sua fórmula secreta que devemos acolher e respeitar mesmo se não a entendemos.
Outra questão importante que devemos manter na instituição é o espaço para a autoridade, sem o autoritarismo, sem a repetição. Construir regras com seus alunos e sempre que surgir o conflito mediá-los, deixar espaço para a criança resolver o problema, trabalhar em grupo dando oportunidade para as relações.
Mediar os conflitos quando estes surgirem são questões importantes para criar autonomia entre os estudantes. Segundo Wallon somos seres geneticamente sociais. Por isso o contexto escolar deve proporcionar o vínculo com o professor, os colegas, o diálogo e a troca de conhecimento entre os pares.
No texto, Adorno coloca que uma mentalidade sadia necessita de vínculos para que dê um paradeiro ao sádico, destrutivo, devastador... O vínculo do professor com a criança é extremamente importante para desenvolvermos bem a aprendizagem. Penso que o diálogo na escola deve ser sempre vivenciado, resguardado, aprimorado. .”O diálogo em si é criativo. Do ponto de vista humano, dialogar é essencial ao crescimento” (Paulo Freire)
O esporte e outras atividades pode ser uma saída na escola para resgatar o sujeito da marginalidade, principalmente em áreas de vulnerabilidade social, apesar de o autor colocar que pode ser algo ambíguo dependendo do indivíduo.
Em algumas modalidades pode ser agressivo em outras suscitar o cavalheirismo e consideração com o mais fraco. Uma experiência que tenho no município onde leciono são as oficinas no turno oposto, onde os alunos podem escolher e se inscrever em oficinas de: violão, violino, coral, dança.
Este trabalho é desenvolvido em toda a rede municipal não para formar músicos ou dançarinos, mas para dar a chance de realizar na escola um momento prazeroso e de desenvolvimento de habilidades. Concordo plenamente com o autor quando diz: ”devem-se combater, antes de mais nada, aqueles costumes folclóricos , rituais de iniciação de qualquer forma, que causam dor física...como prêmio de pertencer a uma coletividade”.
Além de combater os rituais de iniciação, os trotes, o bulliyng na escola devemos ter em mente que isto pode ser o início da violência-nacional socialista. Em hipótese alguma devemos ser coniventes, por exemplo, com o bulliyng porque o sujeito reprimindo a dor, o medo, tentará repassar a outro. A escola deve combater a dor e a capacidade de suportá-la, através do diálogo com professores, orientadores e de projetos na escola que deixe nos permitir falar e ter medo.
Estamos atualmente supervarolizando as tecnologias, a internet, tornando a educação algo mecânico. A educação, na minha opinião vai ser sempre algo humano, onde a troca de conhecimentos se dá de uma forma socializada entre professor, aluno, pais, comunidade em geral. A tecnologia é um recurso para aprimorar o conhecimento, facilitar a aprendizagem e não um fim em si mesmo.
Devemos combater na escola a falta de identificação. A história de vida do sujeito deve ser conhecida pelos professores para que a instituição não contribua psicologicamente para o retorno de Auschwitz.
Neste sentido o diálogo, o brincar, o jogo tem um valor para além do lúdico... Segundo Bruno Bettelheim: “nenhuma criança brinca só para passar o tempo, sua escolha é motivada por desejos íntimos, problemas, ansiedades.” O brincar de uma criança é sua fórmula secreta que devemos acolher e respeitar mesmo se não a entendemos.
Outra questão importante que devemos manter na instituição é o espaço para a autoridade, sem o autoritarismo, sem a repetição. Construir regras com seus alunos e sempre que surgir o conflito mediá-los, deixar espaço para a criança resolver o problema, trabalhar em grupo dando oportunidade para as relações.
Mediar os conflitos quando estes surgirem são questões importantes para criar autonomia entre os estudantes. Segundo Wallon somos seres geneticamente sociais. Por isso o contexto escolar deve proporcionar o vínculo com o professor, os colegas, o diálogo e a troca de conhecimento entre os pares.
No texto, Adorno coloca que uma mentalidade sadia necessita de vínculos para que dê um paradeiro ao sádico, destrutivo, devastador... O vínculo do professor com a criança é extremamente importante para desenvolvermos bem a aprendizagem. Penso que o diálogo na escola deve ser sempre vivenciado, resguardado, aprimorado. .”O diálogo em si é criativo. Do ponto de vista humano, dialogar é essencial ao crescimento” (Paulo Freire)
O esporte e outras atividades pode ser uma saída na escola para resgatar o sujeito da marginalidade, principalmente em áreas de vulnerabilidade social, apesar de o autor colocar que pode ser algo ambíguo dependendo do indivíduo.
Em algumas modalidades pode ser agressivo em outras suscitar o cavalheirismo e consideração com o mais fraco. Uma experiência que tenho no município onde leciono são as oficinas no turno oposto, onde os alunos podem escolher e se inscrever em oficinas de: violão, violino, coral, dança.
Este trabalho é desenvolvido em toda a rede municipal não para formar músicos ou dançarinos, mas para dar a chance de realizar na escola um momento prazeroso e de desenvolvimento de habilidades. Concordo plenamente com o autor quando diz: ”devem-se combater, antes de mais nada, aqueles costumes folclóricos , rituais de iniciação de qualquer forma, que causam dor física...como prêmio de pertencer a uma coletividade”.
Além de combater os rituais de iniciação, os trotes, o bulliyng na escola devemos ter em mente que isto pode ser o início da violência-nacional socialista. Em hipótese alguma devemos ser coniventes, por exemplo, com o bulliyng porque o sujeito reprimindo a dor, o medo, tentará repassar a outro. A escola deve combater a dor e a capacidade de suportá-la, através do diálogo com professores, orientadores e de projetos na escola que deixe nos permitir falar e ter medo.
Estamos atualmente supervarolizando as tecnologias, a internet, tornando a educação algo mecânico. A educação, na minha opinião vai ser sempre algo humano, onde a troca de conhecimentos se dá de uma forma socializada entre professor, aluno, pais, comunidade em geral. A tecnologia é um recurso para aprimorar o conhecimento, facilitar a aprendizagem e não um fim em si mesmo.
Devemos combater na escola a falta de identificação. A história de vida do sujeito deve ser conhecida pelos professores para que a instituição não contribua psicologicamente para o retorno de Auschwitz.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Adorei o Filme "O Clube do Imperador"
O professor Hundert prepara as perguntas para o Concurso Julio Cesar e percebe que um dos finalistas, o aluno Sedrick Bell está colando ao responder as perguntas sobre história antiga. Na verdade este aluno não deveria ter ficado entre os classificados para o teste final, mas o professor quis dar lhe uma chance de mostrar que estava melhorando cognitivamente e, seu comportamento. O professor fala para o diretor que pede que ignore o fato do aluno estar colando. Quando termina o concurso o adolescente vai até a sala do professor e mostra as colas na túnica, perguntando por que não o delatou. Será que o fato de eu ser o filho do senador não te influenciou?
O professor estava passando no corredor e vê o aluno Sedrick tentando convencer a bibliotecária a burlar a regra de levar livros para o quarto. O professor acredita que o aluno vai dedicar-se ao estudo e o ajuda a conseguir o livro.
O professor Hundert tinha duas perguntas finais que poderia fazer. Como percebeu que o aluno estava colando mudou a pergunta na hora e quem ganhou o concurso foi um aluno que realmente tinha empenhado-se e estudado as questões.
Quando o professor percebe que Sedrick estava colando lembrou-se da chance que lhe deu ao desclassificar outro aluno, de ter ajudado a burlar a regra de retirada do livro. Neste momento a maneira mais acertada de corrigir foi mudando a pergunta para que Sedrick não acertasse a resposta.
Apesar de o professor tentar ajudar Sedrick dando-lhe a chance de participar do concurso, o mesmo não aproveitou da melhor maneira esta oportunidade. O professor sentiu-se fracassado com este aluno e culpado por ter desclassificado outro aluno que jamais tentou descumprir regras.
Acredito que a decisão do professor não foi correta. Assim que percebeu que o aluno estava colando deveria ter parado o concurso, anunciado a todos este fato e dado a chance para que o verdadeiro concorrente entrasse na disputa.
Após vinte e cinco anos o mestre admite ao aluno (Martin) que errou, que na verdade ele foi classificado para o concurso. Martin mesmo sabendo disto coloca seu filho para estudar na escola onde o fim depende do começo. Este é o lema do colégio de rapazes St. Benedict’s.
O professor estava passando no corredor e vê o aluno Sedrick tentando convencer a bibliotecária a burlar a regra de levar livros para o quarto. O professor acredita que o aluno vai dedicar-se ao estudo e o ajuda a conseguir o livro.
O professor Hundert tinha duas perguntas finais que poderia fazer. Como percebeu que o aluno estava colando mudou a pergunta na hora e quem ganhou o concurso foi um aluno que realmente tinha empenhado-se e estudado as questões.
Quando o professor percebe que Sedrick estava colando lembrou-se da chance que lhe deu ao desclassificar outro aluno, de ter ajudado a burlar a regra de retirada do livro. Neste momento a maneira mais acertada de corrigir foi mudando a pergunta para que Sedrick não acertasse a resposta.
Apesar de o professor tentar ajudar Sedrick dando-lhe a chance de participar do concurso, o mesmo não aproveitou da melhor maneira esta oportunidade. O professor sentiu-se fracassado com este aluno e culpado por ter desclassificado outro aluno que jamais tentou descumprir regras.
Acredito que a decisão do professor não foi correta. Assim que percebeu que o aluno estava colando deveria ter parado o concurso, anunciado a todos este fato e dado a chance para que o verdadeiro concorrente entrasse na disputa.
Após vinte e cinco anos o mestre admite ao aluno (Martin) que errou, que na verdade ele foi classificado para o concurso. Martin mesmo sabendo disto coloca seu filho para estudar na escola onde o fim depende do começo. Este é o lema do colégio de rapazes St. Benedict’s.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
O Dilema do antropólogo
Acredito que a verdade deva prevalecer em qualquer circunstância, se eu não disser a verdade estarei indo contra o que penso, devemos ser verdadeiros e francos, mesmo nas situações mais difíceis da vida.
Talvez a maior mentira do antropólogo não fosse concordar com os nativos que ele seria um deus. Acredito que a maior mentira tenha sido para ele mesmo pois quando chegou em meio aos nativos e sua cultura, com sua pele branca, sua roupa diferente, provavelmente com vários acessórios (caneta, relógio, cadernos de anotações, carteira...), sua presença já foi uma uma interferência na cultura dos nativos.
Talvez a maior mentira do antropólogo não fosse concordar com os nativos que ele seria um deus. Acredito que a maior mentira tenha sido para ele mesmo pois quando chegou em meio aos nativos e sua cultura, com sua pele branca, sua roupa diferente, provavelmente com vários acessórios (caneta, relógio, cadernos de anotações, carteira...), sua presença já foi uma uma interferência na cultura dos nativos.
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